Enxaimel

O Enxaimel é uma antiga técnica construtiva, além de expressar a cultura do povo, ainda mostra outro item: a adaptação.
É uma adaptação para climas, costumes e modos de vida diferentes, uma modificação que melhora o aproveitamento e o rendimento da técnica antiga de construção.
E essa transformação não é inteiramente planejada, mas ocorre com o tempo, as gerações e a observação. Também, o enxaimel pode ter uma simbologia de uma nova cidadania, uma vida nova, já que foi construído por imigrantes que deixaram sua terra, suas famílias e seu ambiente para se aventurar no mundo desconhecido.
O estilo arquitetônico, dito aqui enxaimel, foi trazido pelos alemães e deriva de um estilo europeu desenvolvido nos tempos do Renascimento, no norte da Europa, principalmente na Alemanha. O auge deste estilo, chamado de fachwerk, foi durante os séculos XVI e XVIII e, na época da imigração, já estava fora moda na Europa, mas foi útil ao Brasil.

O Fachwerk (enxaimel).

Teoricamente, a técnica do fachwerk, desenvolvido na Europa, é bastante simples.

Trata-se apenas de uma construção de forma retangular, com as fundações de madeira. O esqueleto do prédio era formado por vigas grossas de madeira, postas verticalmente, horizontalmente e diagonalmente, dando assim, auto-sustentação para o edifício, sendo o próximo passo, a cobertura com ramos vegetais, placas de madeira ou telhas. Por fim, o preenchimento da obra com tijolos.

Na Europa, esta técnica desenvolveu-se em um meio urbano, porém, tais edificações dificilmente ultrapassaram seis pavimentos. O acabamento era feito cobrindo os tijolos e até mesmo a madeira de sustentação, porém, geralmente, os painéis de vedação são pintados de branco ou bege, enquanto a madeira de preto ou marrom.

Em alguns locais na Europa, aplicaram-se diversas técnicas artísticas para embelezar o prédio como madeiras e vigas esculpidas, floreiras e outros detalhes que confundem um pouco o desenho original. Há muitos edifícios remanescentes em fachwerk na Europa. O estilo deixou de ser aplicado no século XVIII quando deu espaço a novas e mais modernas técnicas.

Os imigrantes alemães que chegaram ao Vale do Itajaí, em Santa Catarina, trouxeram consigo as lembranças e técnicas do fachwerk, aqui dito enxaimel.

Aqui no Brasil, o estilo teve uma continuidade, embora limitada, pois se desenvolveu em espaço menor, ambiente diferente e em menos tempo.

Houve também, as modificações necessárias para adaptar a obra aos padrões locais, criar uma nova identidade e melhorar sua função.
Por se tratar de um clima subtropical, dispensou-se no teto, inclinação maior do que 45º. Porém, houve a necessidade da criação e adaptação de uma varanda em frente à construção, também devido ao clima.

A construção, no entanto, manteve-se a mesma, com a diferença que freqüentemente o painel de vedação, composto de tijolos, fica exposto.
Os exemplares mais antigos de enxaimel demonstram a engenhosidade da estrutura que não usava pregos e sim encaixes nas vigas para sustentar as construções. Outros, apresentam pregos grandes de madeira e não de metal.
Também se encontram exemplares de casas cuja varanda é decorada e o parapeito é de tijolo, às vezes, com arcos ou pilares arredondados de tijolo também.

Nas primeiras décadas do século XX, o enxaimel foi desaparecendo e deu lugar a novas técnicas, na região, como casas mais modernas, de concreto e aço, ou mesmo estilos mais modificados, nacionais ou populares.

Construção

Em um clima úmido, as fundações das casas enxaimel geralmente foram feitas com tijolos, para evitar que a madeira que dá sustentação à casa apodreça. O formato da casa é decidido e as vigas começam a ser dispostas de modo a sustentar e dar formato certo a casa, deixando lugar para as janelas, a porta e a varanda. As madeiras diagonais são dispostas para travar as demais.
As vigas, ao serem cortadas, eram marcadas com sinais, geralmente algarismos romanos, para facilitar a identificação, sua posição e ordem correta, para não desandar a obra e não ocorrer confusões.

Em casas mais antigas as vigas eram modeladas com machado e não com serras. Em muitos casos, os pregos não existiam, sendo que o encaixe era feito por pregos ou pinos de madeira mesmo.

Após formar o esqueleto, fazia-se o telhado. Existia até a Festa da Cumeeira, quando o cume da casa estava feito. Com o telhado cobrindo a superfície de madeira, as obras podem prosseguir normalmente.

Os painéis de vedação são os espaços que sobram entre as vigas. Estes espaços são tapados com tijolos. O detalhe interessante é que nas casas mais antigas os tijolos, feitos em fornos manuais, saíram com cores diferentes devido a diferenças na intensidade do calor. Para certas construções, isto poderia significar um defeito, uma falta de padrão ou desigualdade. Mas no enxaimel, isto confere um charme especial à obra, deixando-a notavelmente artesanal.